sábado, 22 de janeiro de 2011

Primeiro destino: China


Ni hao!

Pequim é uma cidade sensacional, antes de vir imaginava ser uma capital insuportavelmente lotada, poluída e de gente fechada. Pra minha surpresa, na cidade mais populosa do mundo, encontrei chineses (e chinesas...) muito hospitaleiros, uma cidade onde se pode ver o azul do céu de qualquer lugar e apesar dos quase 30 milhões de habitantes, pra cruzar a cidade inteira não gastei 30 minutos e 2 Yuan, que equivalem a R$0,60. Isso mesmo, graças ao eficiente metrô de Pequim que permite visitar os principais pontos turísticos de maneira muito fácil, rápida e barata.

No primeiro dia tava meio grogue de sono porque nos últimos dias em Omã não dormi direito e também por ter viajado um pouco chapado depois do churrasco de despedida. Assim que cheguei encontrei uma galera legal no hostel e fomos pra uma região da cidade cheia de barzinhos universitários e boates. A noite foi massa!

O frio que tá sendo um problema, no segundo dia fez -15º e como nunca tinha passado um frio desses peguei uma febre, de leve. Fora isso, estou curtindo demais essa cidade e esse país, onde a diferença cultural é extrema e onde tenho me sentido um verdadeiro analfabeto quando estou fora do Hostel.

O primeiro marco da trip foi alcançado no dia 17 de janeiro, as muralhas são inexplicavelmente grandes! Fez um dia de sol muito agradável e a temperatura não estava tão baixa, em torno de 2 negativos. O melhor é que como é inverno, poucos turistas vêm visitar a China, então não me senti  como uma formiga como nas estações do metrô. Tá certo que sentir como uma formiga é exagero, talvez seria uma formiga gigante, pois os chineses são tão baixinhos que volta e meia alguém me pára na rua pra tirar uma foto dizendo: você é tão grande!!

O que aconteceu de diferente na muralha foi encontrar um casal de mineiros de Viçosa, dois coroas que vieram pro festival de inverno de Harbin ao invés do verão de Guarapa. hehehe
Teve também uma chinesinha muito engraçada que ficava fazendo pose pros pais tirarem fotos, mas quando eu pedi uma foto ela ficou com vergonha...





  A chinesinha envergonhada na muralha.



A criançada chinesa merece destaque, pelo fato de serem muito engraçadas e tão paparicadas pelos pais por serem filhos únicos. A política do governo de só permitir um filho por casal é seguida a risca, pra minha surpresa, os chineses não acham isso ruim. Eles acham importante ter um filho só, além de seguir de acordo com as regras do governo as despesas são menores. Achei isso interessante, nesses dias tenho reparado o tanto que as crianças bem tratadas pelos pais.

Numa tarde no Palácio de Verão, um chinesinho comendo seu “miojão” (é uma bacia de miojo que o povo come o tempo todo e em todo lugar), me olhando de lado veio perguntar em inglês (o que é raríssimo encontrar na China), por que meu nariz e meus olhos eram tão grandes? Respondi: por que os dele eram tão pequenos? Ele me olhou com cara de quem não sabia responder e depois caiu na risada... Pecinha!

                     
Outra coisa que chamou minha atenção foi o tanto que os idosos (que são a maioria da população) curtem a velhice. Dando uma volta no parque do Templo do Céu fiquei impressionado com a quantidade de velhinhos fazendo atividades físicas como lutas, mulheres batendo pezinho com peteca, uma caixa de som rolando música animada e um monte de velhos dançando em volta ou simplesmente fumando e jogando baralho.



Depois de conhecer a Índia a gente acaba deixando de se importar com algumas “nojeiras”do povo local. Mas tenho que falar de uma coisa que acontece o tempo TODO, pra todo lugar que ando aqui. As escarradas! Não é um cuspe qualquer, é daqueles que a pessoa puxa do fundo da alma e bota pra fora. Desde criança até gente velha, esse é um hábito difícil de não ser notado na China. Você vai andando pela rua e vendo as "poças" congeladas no chão.

Algo que nunca tinha passado na vida foi andar em um lago congelado, ver um panda dormindo em cima de uma árvore e comer escorpião. O lago foi divertido, muita gente andando de patins e com um carrinho tipo trenó, e o escorpião foi até saboroso. Tinha um gosto adocicado e era crocante como mastigar uma barata, até dá pra fazer um tira gosto bacana. Nunca mastiguei nenhuma barata, nem faria, só foi o exemplo que veio na cabeça.

 O lago congelado na frente do Palácio de Verão.
 A rua onde vendem comidas exóticas como escorpião, barata, cobra, tudo no espetinho.





Fazem três dias que estou tentando comprar o bilhete do trem pra Yangshuo, no extremo sul da China, mas com a proximidade do ano novo chinês isso tá sendo uma tarefa difícil, praticamente impossível. A cena na estação de trem de Pequim hoje cedo eu nunca vou esquecer. Parece que todo mundo de Pequim resolveu estar lá hoje cedo.

Pretendia partir ontem (22/jan) à noite, mas infelizmente só tem passagem pro trem do dia 27. Yangshuo era uma cidade que eu queria muito visitar, mas com esse imprevisto estou sendo obrigado a sacar da viagem. Fica pra próxima vinda à China, sabe lá quando! Não posso esperar tanto tempo, a alternativa então para não atrapalhar o itinerário é voar de Pequim direto pro Vietnã. Encontrei um vôo dia 26/jan que vai me custar o mesmo que se fosse até lá de trem. O objetivo da viagem é fazer o maior trecho por terra, mas em situações adversas como essa não tem saída.

Agora é nativar mais uns dias em Pequim, degustar mais alguns escorpiões e descobrir lugares diferentes, fora da rota de turista.

Xie xie!

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